Pernambuco caminha para uma eleição sem segundo turno

À medida que o calendário eleitoral se aproxima, Pernambuco já desenha um cenário bastante conhecido de sua história política: o retorno dos grandes duelos, marcados por forte polarização. Desta vez, com um ingrediente claro desde o início  não há espaço para terceira via, tampouco para segundo turno. A disputa se concentra em apenas dois polos.

De um lado está Raquel Lyra (PSD), primeira mulher a governar o Estado, que buscará a reeleição no Palácio do Campo das Princesas. Do outro, João Campos (PSB), prefeito do Recife, jovem, bem avaliado e que deverá deixar o cargo em abril para enfrentar a governadora nas urnas. É um jogo de dois nomes, dois projetos e dois campos políticos bem definidos.

Qualquer tentativa de inserir um novo personagem nesse embate tende a resultar em fracasso eleitoral. A experiência recente comprova isso. Nas eleições municipais de 2024, Daniel Coelho, apoiado diretamente por Raquel Lyra, teve um desempenho pífio na disputa pela Prefeitura do Recife. João Campos venceu ainda no primeiro turno, com uma das maiores votações já registradas entre as capitais brasileiras.

Daniel, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Turismo, mesmo ocupando atualmente um espaço no primeiro escalão do governo estadual sem grande relevância política, alcançou apenas 3,21% dos votos válidos, ficando em quarto lugar. Foi o pior desempenho percentual de um candidato a prefeito do Recife apoiado por um governador desde a redemocratização, em 1985 superando negativamente até Roberto Freire, que em 1996 obteve 3,54% com o apoio de Miguel Arraes.

A polarização entre Raquel e João fecha, portanto, qualquer brecha para candidaturas aventureiras, que entram no jogo apenas para ganhar visibilidade, marcar posição ou acessar recursos do fundo eleitoral. Alguns já ensaiam movimentos, mas o eleitor pernambucano demonstra maturidade suficiente para não desperdiçar o voto.
Até mesmo o campo bolsonarista parece ter entendido o recado: sem espaço como protagonista nessa disputa majoritária, antecipa estratégias mirando exclusivamente a corrida pelo Senado.
 

Coluna  Jornalista e especialista em política– Kalebe Pereira

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